domingo, 17 de maio de 2020

Com pacientes em recepção, profissional denuncia 'cenário de guerra' no HGE

Pessoas saudáveis e doentes ficam aglomeradas e consultórios são transformados em 'depósito de pacientes' no maior hospital do estado

Pacientes e acompanhantes se aglomeram em recepção do HGE

Imagens recebidas pela Gazetaweb do interior do Hospital Geral do Estado (HGE) denunciam o descaso que as vítimas do Covid-19 têm de passar junto a seus familiares no sistema público de saúde do Estado de Alagoas. Em macas, cadeiras de rodas ou de pé, pacientes e familiares aguardam atendimento por horas na recepção do hospital, em total desacordo com as recomendações de distanciamento social.

"Tá uma coisa assim que parece cenário de guerra mesmo", disse um profissional de saúde, que preferiu não se identificar. Pacientes com Covid-19, com outras complicações e até mesmo acompanhantes saudáveis dividem a mesma recepção.

O profissional relatou que pacientes com quadro grave, que precisavam ser ligados à respiração mecânica, eram enviados imediatamente para a ala vermelha. Uma instrução chegou, posteriormente, para não encaminhar mais os pacientes, pois não havia vagas. "Disse que a última paciente ficou na cadeira de rodas", conta.

Pacientes graves deixaram de ser encaminhados imediatamente para ala

A direção do hospital então instruiu que os pacientes graves sejam encaminhados para a ala azul. "Perguntei se ia ter ventilador, ponto de oxigênio, suporte para paciente grave. Disseram que não sabiam", diz.

Para além da dor de não poder prestar socorro a um paciente, os médicos também enfrentam a ameaça constante de serem infectados pelo vírus e serem temporariamente ou permanentemente afastados da linha de frente.

"Muitos profissionais adoecendo, porque os EPIs que eles dão são frágeis. O avental, você já veste rasgando. O povo muito passivo, sofre calado, morrendo, esperando horas a fio pelo atendimento. Muitos médicos recém-formados ficam batendo cabeça. A direção nem aí para nada, não mostra preocupação e o secretário diz que está tudo lindo", reclama.

Três consultórios teriam se transformado em "depósito de paciente com Covid-19" e haveria três enfermarias improvisadas para pacientes graves, porém sem respiradores. A medicação, diz, falta.

Procurada, a assessoria do HGE se limitou a dizer que o hospital era "portas abertas", e não podia impedir as pessoas de procurarem atendimento. Ao ser questionada sobre a lotação dos leitos intensivos, o déficit de EPIs e a ausência de fiscalização para as medidas de distanciamento social, o hospital afirmou que se posicionaria por meio de nota.

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