sábado, 30 de maio de 2020

Idosa enterrada sem velório ‘decente’ em Ribas não tinha Covid-19

FICAMOS NA RUA ‘ABANANDO’, conta a filha Marilene, ao ver o cortejo passar, sem ao menos poder se despedir.

A família da senhora Maria do Carmo Antônio, de 71 anos, falecida no último dia 17 em Ribas do Rio Pardo (MS), vive dias angustiantes desde que ela foi sepultada às pressas com suspeita de Covid-19.

Depois de quase dois anos enfrentando diversas enfermidades e acometida de dois derrames, dona Maria do Carmo Antônio estava acamada desde fevereiro e não apresentou nenhum sintoma do novo coronavírus.

O neto da idosa, Paulo Rodrigo, foi o primeiro caso positivo de Covid-19 em Ribas do Rio Pardo. Mesmo morando em casas separadas, os pais e a avó que receberam visita de Paulo Rodrigo, foram orientados a permanecer em isolamento domiciliar por duas semanas.

Mesmo sem nenhum sintoma, respeitaram rigorosamente a orientação.

Com o aumento do número de casos do novo coronavírus no Brasil, e também em Ribas do Rio Pardo, os cuidados dos familiares com a idosa foram redobrados. Porém, a assistência médica do serviço público de saúde passou a ser ainda mais precária.

Familiares relatam negligência no acompanhamento. Desde a notícia do positivo do neto, o ESF não foi fazer o curativo de rotina da idosa, voltando somente na outra semana, sendo que era necessário realizar o curativo diariamente. Por diversas vezes, quando havia piora no estado de saúde da idosa, os pedidos eram ignorados.

De acordo com a família, foi preciso muita insistência para aparecer uma enfermeira na residência da idosa. Depois disso, uma técnica teria se limitado a deixar no portão, materiais para curativos. “Por estarmos de quarentena não poderiam entrar e não apareceram mais”, reclama com profunda tristeza dona Marilene, filha de dona Maria.

Três dias antes de falecer, a idosa apresentou oscilação de glicemia e a neta solicitou auxílio ao ESF. A enfermeira responsável teria relatado para a neta que acompanhou a visita do médico e da técnica na casa de dona Maria. Ocasião em que teriam ensinado a realizar o curativo. Entretanto, dona Marilene desmente a versão. “É mentira, eles não apareceram na minha casa. Apenas informaram para que ligássemos para o Samu”.

“Depois das 16h30 não tem mais ninguém no Posto, cheguei a registrar reclamação na Ouvidoria do SUS”, denuncia a neta da idosa falecida.

A denuncia foi realizada na sexta (15), quando novamente a idosa passa mal e o posto novamente não atende o telefone. Após contatar a secretaria de saúde, a enfermeira compareceu para dar desculpas na parte da tarde.

Para a família, o descaso com os cuidados se deu por uma série de falhas dos responsáveis por conduzir a saúde pública. Desde a visita médica semanal que deixou de acontecer, até mesmo aos testes rápidos de Covid-19, que só foram realizados após o falecimento.

“O ESF deixou a desejar, sabiam dos graves problemas de saúde da minha mãe, mas não vinham. Não tivemos apoio, pois quando precisávamos eles pediam para procurar o hospital, e quando vinham o médico reclamava e mandava a minha mãe para o hospital, mesmo as vezes o hospital achando desnecessário, pois o ESF mesmo poderia ajudar, vinham as vezes para realizar somente o curativo”, lamenta dona Marilene.

Por mais de dez dias isolados e sem nenhum sintoma, a família reclama que a Secretaria Municipal de Saúde deveria ter realizado exame de Covid-19 na idosa, ainda em vida.

Dona Maria do Carmo Antônio, faleceu por volta das 18h do dia 17 de maio. Não bastasse a dor da perda do ente querido, a família foi surpreendida com a notícia de que não poderia ter velório. A ordem ‘vinda de dentro do hospital’.

Para os familiares, a condução da situação pelas autoridades foi desumana. “Colocaram ela dentro de um plástico, colocaram no caixão e já lacraram com mais plásticos por cima. Do jeito que saiu de casa, com uma blusa e de fralda, enterraram ela,”, conta o neto indignado.

O enterro foi realizado as 08:00 horas do dia 18/05, abriram as portas para que somente alguns familiares participassem do velório, por menos de uma hora.

FICAMOS NA RUA ‘ABANANDO’, conta a filha Marilene, ao ver o cortejo passar, sem ao menos poder se despedir.

Porém, logo após o enterro, dona Marilene, as outras 3 pessoas que estavam na sua casa, seu outro filho e nora foram chamados para realização do teste rápido, o filho já nem estava mais em quarentena e mesmo assim tiveram que retornar para casa para realiza-lo.

Depois de todo o pesadelo e impedidos de realizarem um velório ‘decente’ dentro do que o decreto estabelece, pois, a mesma não estava contaminada e sua quarentena acabaria na quarta-feira; a família recebeu o resultado dos exames rápidos para Covid-19.

Todos moradores das duas casas testaram negativos. Nem mesmo a falecida a Dona Maria do Carmo estava contaminada, o teste foi realizado com a mesma já em óbito e o resultado foi informado a família dois dias depois de já ter sido liberado.

O questionamento da família se deu também por terem negado o teste quando os familiares pediram, só fizeram o teste rápido após o falecimento da mesma, privando a idosa de atendimentos médicos quando necessitava e o atestado de óbito entregue a família apresenta que a morte de dona Maria foi de causa indeterminada.











Rio Pardo News

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