Mãe relata negligência durante procedimento de troca de cânula do bebê, que segue internado na unidade
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Apesar da luta contra a AME, Gabriel é um bebê que cativa com o sorriso (Foto Arquivo Pessoal) |
A direçao do Hospital Público de Macaé (HPM) abriu sindicância para apurar o caso denunciado pela família do pequeno Gabriel Leite dos Reis, de apenas um ano e 10 meses, que relatou o trauma vivido com o filho dentro da unidade.
Na última segunda-feira (17), o bebê, que sofre do tipo mais grave de Atrofia Muscular Espinhal (AME), ficou entre a vida e a morte, além de ter um dente quebrado durante um procedimento médico. "Infelizmente estamos revoltados quanto ao atendimento do hospital. Na parte da tarde estava agendada a troca da cânula de traqueostomia do Gabriel, pois é necessário fazê-la a cada três meses. O meu filho estava super bem e saiu de casa ótimo e sorrindo", relata a mãe, Karine Leite Maciel.
Ela conta que, apesar do quadro clínico delicado de Gabriel, a troca da cânula aconteceu fora do centro cirúrgico. "Cheguei lá e o médico disse que não tinha vaga, que teria que fazer o procedimento ali. Eu autorizei porque ele fez lá outras vezes e nunca havia dado nada de errado. Só que, nesse meio tempo, o médico se atrapalhou. Tenho certeza que ele não sabia o que estava fazendo. Ele tirou uma cânula e na hora de colocar a nova não conseguiu colocá-la. Com isso, ele simplesmente pegou a velha e tentou recolocá-la. Isso é completamente inaceitável. É proibido. Notei o seu desespero porque o Gabriel ficou roxo.
Na mesma hora eu sai de perto e fui procurar ajuda. Fui no CTI procurar algumas pessoas e levei o pessoal lá", explica.
Ao retornar, Karina disse que a situação só piorou. "Quando cheguei ele havia enfiado um tubo no meu filho no lugar da traqueostomia. Disse que o estado dele estava se estabilizando, mas que teria que levá-lo ao centro cirúrgico. Falei que não queria ele lá, que só permitiria se a técnica dele pudesse acompanhar. Até aí tudo bem, ele autorizou. Nesse tempo o Biel começou a passar mal, os batimentos estavam caindo. O médico resolveu levar ele correndo para o centro cirúrgico. Chegando na porta, Gabriel parou, estava praticamente sem vida.
Quando me ausentei não sei o que aconteceu com o meu filho. Quando a técnica chegou lá disse que ele já estava sem o dente, que arrancaram. Ele ficou quatro horas e meia dentro do centro cirúrgico para trocar uma cânula. O médico mandou a técnica ir até a gente para acalmar porque ele estava saindo. Só que isso demorou mais uma hora e meia. A madrinha dele foi tentar ver o que estava acontecendo e percebeu que estavam tentando reanimá-lo. Provavelmente ele teve outra parada. Questionamos mas não quiseram falar nada porque não querem assumir o erro", explica.
Quando me ausentei não sei o que aconteceu com o meu filho. Quando a técnica chegou lá disse que ele já estava sem o dente, que arrancaram. Ele ficou quatro horas e meia dentro do centro cirúrgico para trocar uma cânula. O médico mandou a técnica ir até a gente para acalmar porque ele estava saindo. Só que isso demorou mais uma hora e meia. A madrinha dele foi tentar ver o que estava acontecendo e percebeu que estavam tentando reanimá-lo. Provavelmente ele teve outra parada. Questionamos mas não quiseram falar nada porque não querem assumir o erro", explica.
A mãe diz ainda que o médico agiu com arrogância. "Ele me disse que tenho que agradecê-lo por ter salvo a vida do Gabriel. Falei que não, disse que ele estava apenas tentando consertar o erro que cometeu", diz. Apesar da gravidade, o bebê foi encaminhado para o setor de pediatria, junto a outras crianças. "Arrancaram o dente dele e a boca está toda roxa. Quando fui olhar a cânula, notei o que o cirurgião tinha feito no pescoço do meu filho. Ele fez uma abertura e não deu ponto. Deixou a ferida em aberto. Quando me dei conta disso fiz um escândalo lá dentro. Queria que ele fosse para o CTI. Depois do barraco, rapidinho conseguiram uma vaga. Agora ele segue em estado estável, mas com suspeita de uma bactéria que ele contraiu lá dentro por conta desse trauma todo", denuncia.
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Bebê segue estável no HPM após erro médico durante uma troca de cânula (Foto Kaná Manhães) |
Sem outra alternativa, já que a família não conta com plano de saúde, a mãe desabafa que o incidente gerou um mal-estar. "Estamos muito abalados com tudo isso e vamos tomar as devidas providências perante a lei. Peço a todos que orem pelo nosso menino", finalizou.
Procurada pela nossa equipe, a prefeitura informou que "a direção do HPM acompanha de perto o ocorrido e lamenta. Um processo administrativo está em curso para verificação dos fatos. O menino Gabriel encontra-se na UTI Pediátrica e recebe todo o suporte necessário".
Gabriel na luta contra a AME
Natural de Macaé, a família de Gabriel vive na esperança de conseguir recursos para a compra do SPINRAZA (Nusinersen). A medicação, disponível apenas nos Estados Unidos, é fundamental para que possa iniciar o seu tratamento contra o tipo mais grave de Atrofia Muscular Espinhal (AME).
De acordo com a mãe, Karine Leite Maciel, a doença foi descoberta quando Gabriel tinha apenas 11 meses. A família precisou brigar na justiça para que o bebê tivesse a internação domiciliar.
Agora Gabriel corre contra o tempo para conseguir o medicamento. Foi criada uma campanha online, onde as doações podem ser feitas através de uma vaquinha online (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ame-gabriel) ou por depósito bancário em uma das seguintes contas: Santander - Agência: 0943/ Conta Poupança: 0006000.44228 (CPF: 063.709.207-46) ou Itaú - Ag: 5926/ C: 08285-9/500.
Para conhecer mais sobre o Gabriel, basta acessar as páginas dele no Facebook (Ame Gabriel) e no Instagram (@amebiel).
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