sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Oito anos depois, família luta para provar que mãe foi morta pela Máfia do Câncer em Campo Grande

Laudo da PF reforça suspeita dos familiares, mas perícia emperra o processo


Depois que Ana Maria de Brito Yule, de 59 anos, morreu em 2011, cinco filhos dela tentam provar na Justiça que ela foi vítima - ao menos - de erro médico, causado pelos mesmos médicos investigados na Máfia do Câncer, em Campo Grande. Ela sofria da doença, mas a Polícia Federal descobriu que ela não morreu da neoplasia no Hospital do Câncer Alfredo Abrão, e sim do uso contínuo de solução analgésica.  

A família desconfiava que o tratamento dado à mãe era duvidoso, mas foi pega de surpresa quando a PF descobriu, inclusive, que o óbito de Yule havia sido constatado por uma enfermeira: um erro crasso. Na Força-Tarefa da PF, peritos tiveram acesso ao prontuário de Ana Maria e constataram muitas irregularidades, até a perfuração de intestino em uma cirurgia, algo considerado grave.

"A gente nem sabia dessa perfuração", explica Ana Cláudia Yule, uma das filhas de Ana Maria. Baseada no relatório da PF, a filha diz estar mais do que provado que a mãe não recebeu tratamento nem medicação adequadas.

"Na época [2011] o tratamento já era eficaz, isso poderia dar sobrevida ou curar minha mãe. O único dia que minha mãe não teve acompanhamento de um familiar, foi o dia da morte dela", revela emocionada Ana Cláudia. Outro ponto destacado pela família e pelo laudo da PF, foi a depressão profunda da paciente, causada em boa parte pela não evolução do tratamento.

Siufi é acusado de erro médico em tratamento de Maria Yule.

O juiz do caso, Ariovaldo Nantes Corrêa, da 8ª Vara Cível de Competência Residual de Campo Grande, incluiu no rol de acusados o médico Adalberto Abrão Siufi. Na defesa, o profissional alegou que não estava claro do que ele era acusado. Em outro momento do processo, a defesa dele tentou anular a convocação de testemunhas por parte da acusação, alegando que o prazo teria prescrito.

Dificuldade

À parte da ação que corre na Justiça Federal, a família entrou na Justiça estadual em 2016 para cobrar indenização do hospital e de dois médicos, sendo um Adalberto Siufi. O processo está parado porque, ao contrário da esfera federal, nenhum médico perito local quis avaliar como foi o tratamento dado a Ana Maria Yule.

Em maio de 2019, um médico especialista em medicina legal e perícia médica declarou suspeição para o trabalho. Por isso, uma audiência que seria feita em junho teve de ser cancelada.

Um outro profissional foi nomeado pela Justiça. Este por sua vez alegou, inicialmente, que precisaria atuar junto com um médico oncologista e que isso iria aumentar os custos para a Justiça. Por isso, em 29 de maio deste ano, querendo economizar, deixou o caso e pediu que a Justiça nomeasse somente um oncologista.

Um terceiro médico então foi convocado para ser o perito do caso e responder as dúvidas da acusação e defesa. No entanto, ele também alegou suspeição por ter trabalhado com pessoas envolvidas no processo.

"Essa tem sido a parte mais difícil. É difícil a gente não pensar em corporativismo médico. É dificil não desconfiar", avalia Ana Clara,

Até o momento, não há manifestação da Justiça para nomear outro profissional.

Entramos em contato telefônico com o escritório que defende o médico Adalberto Siufi, mas não atendia. A defesa do Hospital do Câncer disse que deveríamos entrar em contato com a direção do hospital.

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