segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Pai denuncia falhas no atendimento após mulher dar à luz na recepção do Hospital do Gama


Foto: John Stan


O que era para ser um dia de alegria se tornou uma lembrança de angústia e desespero. A dona de casa Francisca Paula da Silva, 28 anos, deu à luz o seu quarto filho em pé, na entrada do Hospital Regional do Gama (HRG), por conta da demora no atendimento. Não bastasse o desconforto do parto, o bebê, que é uma menina, acabou caindo no chão.
 
Antes de chegar ao HRG, a mulher já havia passado pelo Hospital Regional do Jardim Ingá (Luziânia), só que não conseguiu atendimento ali. “Falaram que tinha médico, mas que ele não estava capacitado para o parto porque tinha um problema na mão”, aponta o pai da bebê, o vendedor Adão Francisco do Nascimento, de 27 anos.
 
De Luziânia até o Gama, o casal foi levado por uma ambulância. No entanto, Adão alega que o enfermeiro não quis acompanhar sua esposa na parte de trás da viatura, e ficou na cabine com o motorista. “Pelo meu entendimento, é o profissional que deve monitorar o paciente. Mas o enfermeiro disse que se eu não fosse, ela iria sozinha. Eu queria ir com o carro atrás, acompanhando a ambulância”, conta.
 
Ao chegar ao hospital, o único auxílio de Francisca veio do marido, que a segurava no momento das dores. “Não tinha cadeira de roda, não tinha maca, e minha mulher a toda hora reclamava de dor, dizia que não aguentava andar. Aí me mandaram preencher a ficha, só que nem deu tempo de eu terminar. O bebê já estava saindo”, detalha Adão.
 
O casal não sabia que o susto viria depois: pelo fato de o parto ter ocorrido em pé, a recém-nascida acabou caindo no chão. “Foi a mesma coisa que ouvir uma pedra caindo no chão. Foi assustador. Aí o enfermeiro da ambulância veio, cortou o cordão umbilical e levou minha filha para dentro, só que a minha esposa continuou do lado de fora, em pé. A sorte é que todo mundo veio ajudar, segurando ela, porque eu estava nervoso”, relembra o vendedor.
 
A bebê deve passar por exames e, provavelmente, vai voltar para casa ainda hoje. “O enxoval está completo, meus filhos estão esperando para conhecer a irmã. Apesar do susto, estamos felizes em saber que veio com saúde”, comemora Adão.
 
Testemunha confirma urgência
 
O analista de sistemas Adriano Carvalho, 31 anos, aguardava o atendimento da mulher na entrada do hospital e presenciou o parto de Francisca. Segundo o homem, a queda da recém-nascida foi forte e o barulho assustou quem estava ali.
 
“Pela pancada, acho que o bebê se machucou. Mas, depois do ocorrido, apareceram vários médicos, enfermeiros”, conta. Para ele, a mulher teria que ter sido atendida urgentemente. “Ela chegou em estado grave. Os médicos teriam que ter ido atendê-la na ambulância”, afirma.
 
“Ela estava reclamando muito de dor. Aí pediram para ela sentar e aguardar o marido fazer a ficha, só que ela disse que não conseguia. Aí, quando ele estava preenchendo os dados, ela disse que a dor tinha aumentado e que o bebê estava nascendo”, confirma o homem.
 
Mesmo com a paciente gritando de dor, na hora do ocorrido, segundo Adriano, estavam apenas o vigilante e um recepcionista. “Depois que a criança caiu no chão, todo mundo correu para ajudar. Os médicos pegaram primeiro a criança, e depois foram buscar a mãe no corredor”, aponta.
 
Aparentemente Evelyn não sofreu nenhum machucado. O pré-natal havia sido tranquilo.
 
Versão oficial
 
Em nota, a Secretaria de Saúde informou que, após o nascimento, imediatamente a mãe e o bebê foram acolhidos por profissionais da pasta e levados para atendimento no Centro Obstétrico. “Ambas passaram por exames e o quadro clínico é considerado bom. Ainda não há previsão de alta”, detalhou.
 
Até o fechamento desta edição, a Secretaria Municipal de Saúde de Luziânia não havia se posicionado sobre a falta de atendimento no Hospital Regional do Jardim Ingá.
 

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