sexta-feira, 31 de maio de 2019

Homem morre em clínica de reabilitação em Minas e a suspeita é de que tenha sido por maus-tratos

A Polícia Civil investiga o que provocou a morte do vendedor Marcelo Barbosa de Oliveira, de 40 anos, em Candeias, no Centro-Oeste de Minas. O caso ocorreu na semana passada algumas horas depois de ter sido buscado em casa por funcionários de uma clínica para reabilitação de dependentes químicos. A família acusa os funcionários de maus-tratos e negligência. Nessa quinta-feira (30), pacientes fugiram da clínica e pediram ajuda alegando que vinham sendo agredidos.

Marcelo Barbosa de Oliveira foi levado para a clínica durante a madrugada, segundo a família./ Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Marcelo era dependente químico e a iniciativa de interná-lo involuntariamente veio da mãe. “Ele estava já meio doente. Nós achamos que ele precisava de uma internação e aí telefonei, me informei dessa clínica, porque eu achava que clínica de recuperação era pra recuperar, não para acontecer o que aconteceu”, disse Waldete Barbosa.

O acordo para internação na clínica, às margens da BR-354, em Candeias, teria sido feito com o proprietário do local. A família teria acertado um valor de R$ 1 mil de entrada e mais R$ 1 mil para cada mês que Marcelo permanecesse internado.

A família conta que Marcelo foi pego em casa, em Piumhi, por volta de meia-noite. No momento em que os funcionários se apresentaram como uma equipe de contenção, os familiares disseram que já estranharam a maneira truculenta como eles agiram. O vendedor foi colocado no carro e levado para a clínica, onde entrou por volta das 2h, ferido e debilitado.

De acordo com a família, ele teria ficado na clínica por 30 minutos. Depois foi levado para o Hospital Carlos Chagas, onde recebeu atendimento médico de urgência. Pouco tempo depois foi constatado o óbito. No laudo fornecido pelo hospital e na certidão de óbito a causa da morte é apontada como asfixia completa e estrangulamento.

Segundo o advogado da clínica, Daniel Limongi, proprietário e funcionários da clínica alegam que não houve irregularidade no atendimento prestado ao paciente. Para o defensor, eles sustentam que houve uma fatalidade. O delegado responsável pelo caso abriu um inquérito policial. Até ontem, apenas a família de Marcelo havia sido ouvida. Os suspeitos deverão prestar depoimento nos próximos dias.

Fuga

Nessa quinta-feira, a Polícia Militar (PM) da cidade recebeu diversas ligações informando que internos da clínica fugiram e estavam no pátio de um posto de combustíveis na BR-354 pedindo ajuda. Segundo a polícia, eles disseram ter sido agredidos pelo proprietário e os monitores da clínica, que estavam sem energia e água desde quarta-feira.

Chegando ao local, funcionários disseram aos policiais que 12 internos se revoltaram e ameaçaram um deles com uma barra de ferro. Eles quebraram o cadeado e fugiram. Os demais que ficaram também relataram maus-tratos. A polícia confirmou a falta de água e energia. Ambas as partes foram advertidas sobre a situação e, conforme a PM, os alvos das denúncias se comprometeram a comparecer ao Juizado Especial Criminal em junho para falar sobre o caso. O proprietário da clínica não estava, mas foi orientado a comparecer à Justiça na mesma data. Até a manhã desta sexta-feira a clínica não havia se pronunciado.





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